GERALDescarbonizar a saúde passa pelo ar que respiramos

Artigo de Opinião: Alexandre de Souza Tavares / Diretor de PD&I do Instituto Safeweb membro do BioHub Tecnopuc
Quando falamos em descarbonização, normalmente pensamos em indústrias, transportes ou geração de energia. Mas há outro espaço que precisa entrar definitivamente nessa discussão: a saúde. E um dos caminhos está no ar que respiramos diariamente dentro de hospitais, clínicas, instituições de longa permanência, escolas e locais de trabalho.
O Pacto pela Descarbonização da Saúde surge para transformar essa preocupação em ações concretas. A iniciativa reúne o Instituto Safeweb e entidades como a Associação Médica do Rio Grande do Sul (AMRIGS), Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio Grande do Sul (Cremers), Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (Simers), Sociedade de Pediatria do Rio Grande do Sul (SPRS), Sociedade de Pneumologia e Tisiologia do Rio Grande do Sul (SPTRS) e outras entidades ligadas à medicina do trabalho.
O primeiro desafio é conhecer melhor o problema. Em muitos ambientes, simplesmente não sabemos o que as pessoas respiram durante várias horas do dia. Queremos medir a qualidade do ar, identificar poluentes, gerar pesquisas e compreender seus possíveis impactos sobre a saúde. A atenção é ainda maior quando falamos de públicos vulneráveis, como idosos, crianças e pessoas que já apresentam problemas respiratórios.
Mas medir não basta. É nesse ponto que a aproximação com a Associação Sul Brasileira de Refrigeração, Ar-Condicionado, Aquecimento e Ventilação (ASBRAV) e com as empresas e profissionais do setor de climatização ganha importância. Se a área da saúde pode produzir evidências e demonstrar os efeitos da exposição aos poluentes, o setor de Aquecimento, Ventilação, Ar-Condicionado e Refrigeração (AVAC-R) possui o conhecimento técnico para atuar sobre os ambientes.
Essa união permite sair do diagnóstico para a solução. Ventilação, renovação do ar, filtragem, controle de contaminantes, eficiência dos equipamentos e substituição de fontes de combustão são exemplos de medidas que podem ser avaliadas conforme cada realidade. Empresas do setor têm, portanto, uma participação fundamental para que o conhecimento produzido pelo pacto resulte em melhorias efetivas.
Essa convergência também esteve presente no Mercofrio 2026, promovido pela ASBRAV, que incluiu entre seus principais eixos a descarbonização, a sustentabilidade e a Qualidade do Ar Interno (QAI). Saúde e climatização precisam conversar cada vez mais.
Queremos construir exemplos que possam ser medidos, avaliados e posteriormente replicados. Descarbonizar a saúde não significa apenas reduzir emissões. Significa entender o ambiente, conhecer o ar que respiramos e reunir saúde, engenharia e empresas para transformar conhecimento em soluções capazes de melhorar a vida das pessoas.
Alexandre de Souza Tavares
Diretor de PD&I do Instituto Safeweb membro do BioHub Tecnopuc